Morre Albert Sabin, pai da vacina antipólio.

São Paulo (AE) - Albert Sabin, o médico que descobriu a vacina oral contra a poliomielite, morreu aos hoje aos 86 anos, vítima de deficiência cardíaca, no hospital da Universidade de Georgetown (EUA). Sabin, que vivia em Washington, havia sido hospitalizado no dia 22 de fevereiro, depois de sofrer um enfarte. Estava aposentado desde 1988, devido a problemas de saúde.

Albert Bruce Sabin sofria de problemas cardíacos havia mais de 20 anos e já tinha se submetido à cirurgia para colocação de ponte de safena. Em 1986, chegou a ficar internado por alguns dias acometido do que os médicos qualificaram como "síndrome pré-ataque cadíaco".

Nascido no dia 26 de agosto de 1906, Sabin se naturalizou norte-americano, pouco depois que sua família deixou a Polônia, em 1930, fugindo do anti-semitismo que crescia no leste da Europa. Nos Estados Unidos, Albert Sabin recebeu em 1928 o grau de bacharel em Ciências pela Universidade de Nova Iorque. Colou grau em Medicina em 1931, e integrou-se à equipe do Rockfeller Institute (organização de pesquisas), começando imediatamente seu trabalho de investigação do vírus da poliomielite.

Em 1939, Sabin transferiu-se para a Universidade de Cincinnati, na Escola de Medicina, onde continuou suas pesquisas, financiadas em parte pela Fundação March of Times. Considerado pioneiro da pesquisa médica, Sabin não reduziu seus estudos ao campo da pólio, mas também se dedicou à pesquisa de outras doenças viróticas e infecciosas, incluindo toxoplasmose, sarampo, pneumonia, câncer e herpes.

Durante a Segunda Guerra Mundial, Sabin pesquisou doenças que podiam afetar as Forças Armadas Norte-Americanas. Ele isolou o vírus que ocasionava uma febre epidêmica nas tropas americanas na África, descobriu uma vacina contra a dengue e antes do fim da guerra desenvolveu um imunizante contra a encefalite japonesa, administrado a 70 mil soldados dos Estados Unidos, como parte dos preparativos para uma invasão ao Japão.

No entanto, foi a criação da vacina Sabin que constituiu o auge de sua carreira, valendo-lhe numerosos prêmios e honrarias. Em 1970, ele foi nomeado presidente do Instituto Weizmann de Ciências, em Israel, onde ficou por alguns anos, voltando depois para os Estados Unidos.

Casado com a brasileira Heloísa Dunshee de Abranches desde 1972, por diversas vezes o professor veio ao Brasil acompanhar as campanhas de vacinação em massa contra a poliomielite. Com seu trabalho reconhecido mundialmente, Sabin recebeu várias homenagens por parte de governos brasileiros e entidades médicas do País.

Em uma das últimas visitas que fez ao Brasil, em agosto de 1991, o cientista recebeu uma condecoração do então presidente Fernando Collor com a Grã-Cruz da Ordem do Rio Branco, maior comenda do Itamaraty. Sabin chegou a afirmar publicamente que se considerava um meio-brasileiro patriota. "Eu fico muito feliz quando o Brasil é bem sucedido e fico muito triste quando o País fracassa", confessou.

 

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