O QUE É?

           

            A poliomielite é uma doença infecciosa causada por um enterovírus, denominado de poliovírus, o qual pode ser reconhecido em três tipos imunológicos diferentes (sorotipos 1, 2 e 3).

Conhecida também como paralisia infantil, ela apresenta uma gravidade extremamente variável, podendo causar paralisia principalmente nos braços e nas pernas (membros mais atingidos) e até levar ao óbito.

A palavra poliomielite deriva do grego, sendo pólio correspondente à cinza e mielite à inflamação da medula (espinhal ou óssea). Assim, a doença está associada com a inflamação da sustância cinzenta do cérebro (tecido nervoso constituído de corpos celulares de neurônios, neuroglias e fibras, predominantemente mielínicas) da medula causada pelo poliovírus, principalmente no local das células do sistema motor. Deste modo, com a danificação destas células há um enfraquecimento das respostas motoras ou abolição destas nas regiões afetadas, podendo levar a paralisia.

Logo, a patogenidade da doença varia de acordo com o tipo de poliovírus e com os fatores inerentes aos hospedeiros (mais altos em adolescentes e adultos). Pode-se, então, apresentar se de diferentes formas clínicas: forma assintomática, forma abortiva, forma não paralítica e forma paralítica. Sendo a maioria dos casos de poliomielite assintomáticos, atingindo uma porcentagem de, aproximadamente, 90 a 95% das incidências.

Esta forma assintomática apresenta casos praticamente sem sintomas ou sinais clínicos. Levam a produção de anticorpos e são responsáveis pelo grande número de indivíduos imunizados da poliomielite, principalmente em países com saneamento básico deficiente, como o Brasil.

A forma abortiva constitui um grupo relativamente grande, incluindo 4 a 8% dos infectados. Seus sintomas são extremamente variáveis na gravidade. Mas, de modo geral, as infecções podem ser inicialmente associadas com sintomas gastrintestinais leves, seguidos de febre, dor de garganta e sintomas parecidos com gripe. A recuperação se dá em poucos dias.

A poliomielite não paralítica pode ocorrer de 1 a 2% dos casos e está associada aos sintomas da forma abortiva, seguida pela invasão do sistema nervoso central, levando a uma meningite asséptica. Geralmente este tipo é acompanhado de dores nas costas e espasmos musculares. A duração é em media de 2 a 10 dias com recuperação completa.

A forma paralítica ocorre em 0,1 a 2 % das infecções, em media de 7 a 30 dias após o contagio. Pode se mono ou difásica, ou seja, pode apresentar em uma primeira e única fase ou depois de um intervalo de 1 a 5 dias, em que a doença parece ter regredido totalmente. Quando a forma é difásica, a primeira fase é denominada de pré-paralítica e seus sintomas são semelhantes aos da forma abortiva. Na forma monofásica as paralisias aparecem depois de alguns dias das manifestações dos sintomas, sem um intervalo livre, como na forma difásica.

Dos pacientes com paralisia 10% recuperaram totalmente, 10% dos casos são fatais e 80% persistem em uma paralisia residual.

Ainda tem que se levar em consideração à fase aguda da doença, a qual apresenta intensas manifestações de comprometimento do sistema nervoso. Pode se dar depois de uma fase benigna ou se manifesta abruptamente sem qualquer quadro clínico preexistente. A paralisia pode ocorrer alguns dias depois desta fase aguda ou logo no primeiro dia do contagio da doença. Podem ser de algumas formas diferentes: as formas espinhais, que são as mais comuns e deixam seqüelas. E as formas bulbares ou polioencefalite. São as mais freqüentemente levam ao óbito, mas quando evoluem para a cura não deixam praticamente seqüelas. 

 

Situação da poliomielite no Brasil

 

No Brasil a doença apresentou alta incidência deixando centenas de deficientes físicos por ano. Até 1980 o país apresentava alta incidência da doença, 2300 casos por ano, devido às baixas coberturas de vacinação. A partir de 1980, com a instituição dos dias nacionais de vacinação e implementação de outras ações de controle, a incidência da doença diminuiu. Em 1986 ocorreu uma epidemia de poliomielite no Nordeste pelo poliovírus tipo 3. O principal fator para tal ocorrência era a baixa imunogenicidade do componente tipo 3 na vacinação contara a doença, utilizada na época. Com o aumento do número de partículas virais  do sorotipo 3 houve uma elevação na eficácia da vacina, conseqüentemente uma diminuição no número de casos da doença. Assim, o ultimo caso de poliomielite no Brasil foi registrado em 1989, depois se tornou erradicada. No dia 12 de dezembro de 1994 o Brasil recebeu o “Certificado de Erradicação da Transmissão Autóctone do Poliovírus Selvagem nas Américas”.

Desde esta data o país assumiu o compromisso de manter as altas coberturas de vacinação e uma vigilância epidemiológica ativa, capaz de identificar imediatamente a reintrodução do poliovírus e adotar medidas de  controle capazes de evitar a sua disseminação.

 Em 1999 foi comemorado 10 anos da erradicação da doença.

 

 Incidência da poliomielite no mundo

 

No continente americano o ultimo caso de poliomielite ocorreu o Peru, em agosto de 1991. Em 1994 foi atestada a erradicação do poliovírus na América (primeiro país a erradicar a doença). Mas a doença ainda ocorre em vários pises do mundo (África, subcontinente Indiano).

O maior problema está no movimento global das pessoas, que tem crescido em alta escala nos últimos anos, gerando uma ameaça constante de reintrodução da poliomielite nos países onde esta doença já foi erradicada. Para evitar este problema com a transição global de pessoas há recomendações para viajantes que devem ser tomadas.

 

 

Taxa de Incidência da Poliomielite

 

A taxa de incidência da doença está relacionada com o clima do país. Em países de clima temperado a maior incidência ocorre no verão e começo do outono. Já em países de clima tropical a distribuição dos casos é uniforme durante todo ano.

A transmissão é maior em áreas urbanas densamente povoadas, embora também ocorra em áreas rurais. O grupo mais atingido, em regiões endêmicas, são crianças menores de 5 anos, porém o aumento da idade predispõe o aumento da proporção de casos com forma paralítica.