SÍNDROME PÓS-PÓLIO

 

            Desde o século passado existem relatos de pacientes com antecedentes de poliomielite que após o período de estabilidade desenvolvem nova fraqueza no membro afetado e, eventualmente naqueles membros não acometidos. Em meados dos anos 70, pacientes vitimados pela poliomielite começaram a notar que essa nova fraqueza não era uma curiosidade médica, mas sim um achado freqüente e criaram o termo Síndrome Pós-Pólio para definir esse novo conjunto de sintomas tardios da doença, que ocorrem cerca de 35 anos após o ataque do póliovírus em 75% dos paralíticos e em 40% de sobreviventes da pólio "não paralíticos".

            Sabe-se atualmente que a origem dessa nova fraqueza e fadiga não se devem a uma reativação viral, mas sim à uma sobrecarga dos músculos e nervos relacionados ao segmento do corpo que foi acometido pela paralisia. Assim, por exemplo, um paciente que ficou com fraqueza na coxa direita e não consegue estender seu joelho direito de forma adequada, mas continua andando sem aparelhos ou bengalas está mais propenso a desenvolver fadiga local e nova fraqueza.

            A dor articular é explicada pelo desarranjo de forças musculares e sobrecarga local que ocorre em virtude de suas tentativas de compensação. O paciente pode apoiar-se sobre um membro de forma inadequada ou realizar movimentos anômalos, causando tensão nas articulações e músculos, que se tornam fontes de dor.

            A fadiga é explicada pela dor, a fraqueza, tipos de personalidade e acometimento de certas estruturas do sistema nervoso central que são responsáveis pela atenção e concentração.

 

O QUE CAUSA A SÍNDROME PÓS-POLIO?  

            É causada por "abuso de excesso de uso" durante décadas. O póliovírus danifica 95% dos neurônios motores da base do cérebro e da medula espinhal, matando pelo menos 50% deles. Na prática, cada músculo no corpo é afetado pela pólio, pois são os neurônios de ativação do cérebro que mantêm o cérebro acordado e a concentração da atenção. Embora danificado, os neurônios remanescentes compensam o dano enviando "ramos" como linhas de telefone extras para ativar músculos que ficaram órfãos quando seus neurônios foram mortos. Esses ramos desenvolvidos, de neurônios danificados pelo vírus da pólio, agora estão falhando e morrendo pelo excesso de uso, causando fraqueza muscular e fadiga. O excesso de uso de músculos enfraquecidos causa dor muscular e das juntas, bem como dificuldade de respiração e de deglutição.

 

 

COMO REALIZAR O DIAGNÓSTICO?

            O diagnóstico desta síndrome é clínico, ou seja, não existe exame laboratorial que comprove o que o paciente tem. O médico deve tomar como base apenas os relatos do paciente de perda de força e fadiga.

            A única maneira que se tem para se saber se uma pessoa tem a Síndrome Pós-Polio é através de um exame neurológico e outros exames de laboratórios ( por exemplo: Ressonância Magnética, imagem neurológica, estudos eletrofisiológicos, biópsia dos músculos ou análise do fluido da espinha).

            O processo de diagnóstico é complexo, pois muitos sintomas da Síndrome sobrepõem-se aos de outras doenças, tais como: osteoartrite, fibromialgia, hipotiroidismo, depressão, artrite reumatóide, polimialgia reumática, problemas neurológicos.

            É de se notar o seguinte fato: hoje em dia, nem todos os médicos estão inteirados da existência da Síndrome Pós-Polio como doença.

           

 

QUAIS SÃO OS SINTOMAS?

  • quadro prévio de poliomielite

  • período de estabilidade funcional de ao menos 15 anos

  • nova fraqueza em membro previamente acometido ou não

  • fadiga

  • dor no aparelho locomotor

  • ausência de outras doenças que expliquem a ocorrência dos sintomas

  • insuficiência respiratória

  • disartria (distúrbios na fala)

  • disfagia (dificuldades na deglutição)

  • cãibras

  • intolerância ao frio

  • contrações musculares e deformidades nas articulações

  • desordens do sono

  • sensibilidade à anestesia

 

 

QUAL O TRATAMENTO?

            O tratamento da síndrome pós-pólio deve ser multidisciplinar. Ao médico cabe o diagnóstico da síndrome e o tratamento de doenças associadas que podem estar complicando o quadro (respiratórias, cardíacas, anemia entre outras), a prescrição de medicamentos que possam melhorar a capacidade funcional também são da sua responsabilidade, assim como o acompanhamento da evolução do paciente.

O controle da dor pode ser realizado por uso de calor, frio, correntes elétricas e medicamentos, mas a fisioterapia incluindo exercícios físicos de alongamento é fundamental. A terapia ocupacional, instruindo técnicas de economia de energia, é de grande valia para evitar fadiga. O condicionamento físico por natação, caminhadas ou bicicleta ergométrica também aumenta a capacidade funcional do paciente.

            Finalmente, é fundamental para o paciente criar uma nova estruturação de horários e tarefas diárias, com o fim de reduzir seu gasto de energia. Períodos de repouso são recomendados no meio da manhã e da tarde, e uma parada para dormir é indicada após o almoço.O tratamento deve ser sempre complementado com outras formas de redução do gasto energético, tais como uso de bengalas e muletas, aparelhos ortopédicos e locomoção com veículos motorizados.

            As estratégias para o tratamento da Síndrome incluem:

  •             fisioterapia

  •             terapia ocupacional, com técnicas de conservação de energia

  •             modificações do estilo de vida

  •             aconselhamento psicológico

  •             perda de peso

  •             medicação específica para os novos problemas musculares