Quem Deve ser Vacinado
As diversas campanhas contra a Paralisia Infantil,
representam um dos mais belos capítulos da medicina e sua aplicação
continuada fará desaparecer esta doença. Em 1994, o Brasil recebeu o
certificado de Erradicação da Poliomielite. Todos os indivíduos deverão
tomar vacina polivalente, pois cada gota contém os três tipos de vírus
juntos, que provocará a imunização permanentemente.
Assim, a poliomielite pode ser evitada através de vacinação e medidas de prevenção contra doenças transmitidas por contaminação ao fecal de água e alimentos Existem dois tipos de vacina, a Sabin (oral, com vírus atenuado) e a Salk (injetável, com vírus inativado).
Estas vacinas disponíveis, Sabin e Salk, produzem imunidade contra os três sorotipos do poliovírus e têm eficácia comparável. A Sabin é a vacina utilizada em imunizações de rotina no Brasil. Os indivíduos que recebem a Sabin eliminam os vírus junto com as fezes por cerca de seis semanas, o que pode levar a uma "vacinação" secundária de outras pessoas.
Os indivíduos saudáveis que recebem a Sabin podem, raramente, desenvolver poliomielite induzida por mutação (reversão) dos próprios vírus atenuados componentes da vacina, principalmente quando recebem a primeira dose. A poliomielite vacinal tem evolução clínica idêntica à causada pelo vírus "selvagem", podendo causar paralisia flácida (permanente ou transitória) ou, eventualmente, evoluir para o óbito. O risco de poliomielite vacinal é maior em adultos e pessoas com imunodeficiência, causada por qualquer doença ou medicamento.
A vacina oral contra a poliomielite não deve ser utilizada em pessoas com imunodeficiência (inclusive portadores assintomáticos de HIV) e nem em contactantes desses indivíduos. Os indivíduos com imunodeficência, além do risco maior de poliomielite vacinal, podem eliminar o vírus pelas fezes por períodos prolongados (meses, anos), o que facilita a ocorrência de mutação (reversão) e constitui um risco para pessoas não vacinadas. Em uma situação de baixa cobertura vacinal na população, o vírus vacinal mutante pode levar a uma epidemia de poliomielite, como já ocorreu no Egito (1983-1993) e, atualmente, ocorre na República Dominicana e no Haiti.
Os adultos que nunca foram vacinados, quando viajarem para áreas de risco (como o Continente Africano), devem receber, preferencialmente, pelo menos nas duas primeiras doses, a vacina com o vírus inativado (Salk), pelo risco de poliomielite vacinal, que embora pequeno, é maior neste grupo do que em crianças.
Recomendações para vacinação contra a poliomielite
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Situação vacinal |
Recomendação |
Intervalo
entre as doses * |
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Vacinação completa |
1 dose suplementar |
- |
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Vacinação incompleta |
completar até a terceira dose** |
6
semanas (Sabin) |
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Não vacinado |
3 doses** |
6
semanas (Sabin) |
*
Se não existir tempo suficiente, não viajar sem receber no
mínimo uma dose.
** Crianças de até quatro anos devem receber dose adicional (quarta dose),
seis a doze meses após a terceira dose.
O Cives recomenda às pessoas com viagem programada para áreas de risco para poliomielite, que:
- Atualizem seus esquemas vacinais contra poliomielite, independentemente da idade (criança ou adulto).
-Adotem medidas de prevenção contra outras doenças transmitidas por contaminação fecal de água e alimentos.
- Atualizem a vacina contra febre amarela (validade de 10 anos) e outras doenças imunopreviníveis (como sarampo, febre tifóide, hepatite A, hepatite B).
- Utilizem medidas de proteção individual contra a malaria (paludismo), doença endêmica no Continente Africano e Subcontinente Indiano, contra a qual não existem vacinas disponíveis.
- Em países que estiveram ou ainda estão em guerra, não andem por áreas desabitadas ou evitadas pela população local, pelo risco acidentes com minas terrestres explosivas.
Definição de Criança Adequadamente Vacinada: é aquela que recebeu três ou mais doses de vacina oral contra poliomielite, com um intervalo mínimo de 30 dias entre cada dose.
A doença foi de alta incidência no país em anos anteriores, deixando centenas de deficientes físicos por ano. Hoje, encontra-se ERRADICADA no Brasil em virtude das ações de imunização e vigilância epidemiológica, desenvolvidas desde 1980 até 1994, quando o país recebeu o "Certificado de Erradicação da Transmissão Autóctone* do Poliovírus Selvagem nas Américas".
A
partir de então, o país assumiu o compromisso de manter altas coberturas
vacinais, de forma homogênea e uma vigilância epidemiológica ativa, capaz de
identificar imediatamente a reintrodução do poliovírus e adotar medidas de
controle capazes de impedir a sua disseminação.
Profilaxia:
Já
que a infecção é transmitida pelos vírus presentes nas secreções nasais e
orofaríngeas e, também, nas fezes dos casos agudos ou assintomáticos, esses vírus
excretados por elas podem contaminar alimentos, água e leite, podendo ser
veiculados pelas moscas. A penetração no organismo pode-se efetuar, pois, por
via respiratória ou por via digestiva. Desse modo, o controle da Poliomielite
depende do isolamento dos pacientes e da desinfecção das excreções.
Aconselha-se,
nas ocasiões de epidemia, evitar aglomerações bem como a ingestão de
vegetais crus (principalmente os mais expostos a contaminações, como alface,
tomate, rabanete, etc) e água de poços suspeitos (consumir somente se for
fervida). O combate às moscas, através da limpeza e de uma detetização
intensiva é de fundamental importância devido aos seus papéis disseminadores.
Vigilância Epidemiológica:
· Critérios para Inclusão de um Caso no Sistema de Vigilância Epidemiológica das PFA: deve ser investigado todo caso de deficiência motora flácida, de início súbito:
· em pessoas menores de 15 anos, independente da hipótese diagnóstica de poliomielite;
· em pessoas de qualquer idade, que apresentam hipótese diagnóstica de poliomielite.
Obs: os casos de paralisia ocular pura e paralisia facial periférica não devem ser investigados.
· Investigação Epidemiológica: todo caso de Paralisia Flácida Aguda (PFA) deve ser investigado até 48 horas após seu conhecimento.
Roteiro de Investigação:
· caracterizar clinicamente o caso, para determinar sua inclusão no sistema de investigação;
· colher duas amostras de fezes do caso, a fim de confirmar o diagnóstico e identificar a reintrodução do poliovírus selvagem na região;
· obter informações detalhadas e uniformes para todos os casos, através do preenchimento da ficha de investigação epidemiológica de PFA, de modo a permitir a comparabilidade e análise dos dados;
· visitar imediatamente o domicílio para complementar dados da ficha de investigação (história vacinal, fonte de infecção, etc.), buscar outros casos e, quando necessário, coletar as amostras de fezes de cinco contatos;
· orientar medidas de controle;
· realizar a revisita do caso para avaliação de seqüela, sessenta dias após o início da deficiência motora;
· classificar o caso, conforme os critérios estabelecidos;
· revisita: avaliar se há presença de seqüela após 60 dias do início da deficiência motora. Essa avaliação é importante para a classificação definitiva do caso.
Em virtude das características de transmissão do poliovírus, silenciosa e rápida, e da ocorrência de um grande número de infecções sem manifestações clínicas, a vigilância deve ser intensificada com a finalidade de detectar a ocorrência de outros casos de PFA. A manutenção dessa vigilância deve abranger, além do local de residência do doente, as localidades visitadas nos 30 dias anteriores ao início da paralisia, em caso de viagem, como também os locais de residência de possíveis visitas recebidas no mesmo período, onde pode estar a provável fonte de infecção. Além da intensificação da vigilância, as medidas de controle compreendem: mini-inquérito, inquérito de cobertura vacinal, visita às unidades de saúde e contato com profissionais de saúde.